
Foto: Rodrigo Fuzar
José Junior, autor e coordenador de umas das principais instituições sociais/culturais do Brasil — o AfroReggae — , conversa com exclusividade e sem cortes com a Evoke sobre o papel agregador e transformador da arte e cultura como ferramentas na luta pela justiça social.

1) Junior, você conseguiu superar as dificuldades da vida e do ambiente onde cresceu. Nesta sua trajetória, qual foi o pior e o melhor momento para você?
1) Junior, you were able to overcome the difficulties both from life and from the environment where you were raised. In this specific trajectory of yours, what were the worst and the best moments for you?
Junior: A minha formação foi toda na rua. Vi pessoas do bem e do mau sendo mortas e perdi/perco (até hoje) pessoas que eu gostava/gosto. Não sei definir o pior e o melhor momento da minha vida. Sou admirador de Shiva (divindade hindu) e aprendi que muitas vezes a destruição está relacionada a transformação e a mudança. Não me emociono mais com as coisas que eu particularmente realizo diretamente. Me emociono mais pelo que vejo feito por outras pessoas. Tenho orgulho de muitas pessoas que estão dentro do AfroReggae.
Junior: I was raised on the streets. I’ve seen good and bad people dying and I lost (still lose) people that I liked and people that I sill like. I cannot define the worst moment of my life. I adore Shiva (Hindu deity) and I’ve learned that in many times destruction is related to transformation and change. I no longer get touched by things that I achieve directly for myself. I get more please when I see good stuff being done to other people. I am very proud of many people inside AfroReggae.
2) Como você vê as lan houses nas periferias? São boas aliadas para a educação ou devem ser restritas a maiores de idade?
2) How do you see the LAN House universe in the suburbs/slums? Are they a good ally for education, or must they be restricted to users of legal age only?
Junior: Nada inclui mais dos que as lan houses. O acesso é extremamente democrático. Engraçado falar de inclusão as vezes por uma via que não esta legalizada ou muitas vezes até tem um certo ar “pirata” já que muitos desses estabelecimentos utilizam o GatoNet ! Não tem como restringir a uma faixa etária. É muito dificil ! Minhas filhas (9 e 7 anos) sabem usar parte do equipamento que temos em casa e alguns sites melhor do que eu e a minha esposa.
Junior: LAN Houses have a great power of inclusion. Access is extremely democratic. It is funny to speak of inclusion, sometimes through one mean that is not legalized or in many times has certain air of ‘piracy’, since many of these LAN Houses resort to GatoNet (illegal/clandestine connection)! You cannot control a certain age range. That is very hard! My daughters (9 and 7 years old) know how to use part of the equipment that we have at home, and they know how to interact even better than myself and my wife in some websites.
3) O AfroReggae cresceu muito e ganhou vários prêmios. Quais suas dificuldades atuais ?
3) AfroReggae has grown substantially and has been awarded several prizes. What are your current difficulties?
Junior: Mediar conflitos ainda é algo que exige um grande esforço, já que você muitas vezes coloca a sua vida em risco. O grande barato é que o Rio está cada vez menos em guerra (não sabemos até quando). Hoje temos um governo estadual que dialoga com o município e com a federação. Vivemos isso somente há 2 anos. Tenho 42 anos e nunca tinha vivenciado essa experiência. O Rio sempre bateu de frente com todo mundo. Desde que o Brizola assumiu em 83 sempre fomos um estado isolado.
Junior: Conflict mediation is something that still requires a great effort, since in many times you put your own life at risk. The good thing is that Rio is becoming less involved in this war (we don’t know until when). We currently have a state government that keeps dialogs with the municipality and the federation. We are experiencing this for only 2 years. I am 42 years old and have never seen that before. Rio has always taken an aggressive posture. Since Brizola took over in 1983, we became an isolated state.
4) Qual a principal arma do AfroReggae para vencer a violência e as drogas ?
4) What’s AfroReggae’s main resource against violence and drugs?
Junior: Entender o universo que lidamos. Utilizar as mesmas técnicas e metodos que levam o jovem pro crime pra trazê-lo pro lado NEGRO DA FORÇA (nesse caso o lado NEGRO é o lado bom como sempre deveria ter sido). Trabalhamos nas favelas e presídios mais temidos do Brasil e sabemos do nosso papel agregador e transformador. Não inventamos a RODA. Muita coisa já estava lá na cara ! Só que as pessoas não enxergavam ou não queriam ver. Fizemos colagens de boas experiências e começamos a fazer o que acreditávamos que era certo. Focamos no fortalecimento da auto-estima e na cultura e desenvolvimento social. Atualmente falamos muito do lado empreendedor e econômico, mas sempre fez parte do nosso foco e estratégia.
Junior: Understanding the universe we’re in. Using the same techniques and methods that carry the youth to the criminal life to bring them back to the real side of life. We work at the most feared slums and prisons of Brazil and we know our role of aggregation and transformation. We didn’t invent the wheel. A lot of stuff was there already! But the people were not seeing what they didn’t want to see. We absorbed our own good experiences and started to do what we believed to be right. We focused on strengthening self-esteem and on the culture of social development. Currently we are discussing a lot about the entrepreneur, economic side of things, but this has always been part of our focus and strategy.
5) Como é ser responsável por uma instituição como o AfroReggae ?
5) How is it to be responsible for AfroReggae?
Junior: Nós temos 74 projetos, 1 ONG, 1 OSCIP e 2 empresas. Pensamos como uma empresa social, aonde o “lucro” gerado é reinvestido e potencializado. O AfroReggae é muito diferente ! Não estou dizendo que somos os melhores. Temos muito o que aprender e fazer ainda. Nem somos referências de nada ! Quando me apresentam como líder comunitário, de algo maior ou de um movimento eu digo que não sou. Sou o líder do AfroReggae, somente !
Junior: In my case I don’t see AfroReggae as a mere NGO. We have 74 projects, 1 NGO, 1 ‘OSCIP’ (Public Interest Civil Partnership Organization) and 2 companies. We think as a corporate business, where the ‘profit’ generated is reinvested and potentialized. AfroReggae is very peculiar! I am not saying that we are the best. We have a lot to learn and to make. And I don’t see us as a reference for anything! When I’m introduced as a community leader, of something bigger, or of a movement, I say I’m not. I’m leader of AfroReggae, and that’s it!
6) Como você vê as olimpíadas e a Copa do Mundo no Brasil ?
6) How do you see the Olympics and the World Cup in Brazil?
Junior: É fantastico ! É uma vitória para o nosso povo e para um cara que passei admirar muito, o governador Sergio Cabral.
Junior: Fantastic ! This is a victory to our people and to a guy that I became an admirer, governor Sergio Cabral.
7) Como fazer para ajudar o AfroReggae ?
7) How can one help AfroReggae ?
Junior: Divulgando como você esta fazendo. Potencializando a marca, as estrategias e fazendo com que parte da nossa missão possa ser espalhada como inspiradora de pessoas e de quem quer fazer a diferença.
Junior: By disclosing, just the way you are doing right now. By strengthening our name and our strategies, and by making that part of our goal can be spread out as a source of inspiration to people, by people who want to make the difference.
Para saber + acesse o site oficial ou siga pelo twitter @jjafroreggae
Read more in Oficial Website and follow by twitter @jjafroreggae